Postagem em destaque

fast or slow-down?

FAST ou SLOW-DOWN? ELITISTA ou ESTILISTA? Alguns decoradores, que conseguiram o título de arquiteto, deturparam a arquitetura nas últimas dé...

domingo, novembro 25, 2007

ADEUS...paredes.

ADEUS paredes...

A flexibilidade que passou a ser palavra de ordem em muitos projetos corporativos, chega prá ficar também nas residências.

Paredes internas parecem estar mesmo com dias contados; em seu lugar, espaços abertos mais generosos, por vezes separadas com uso de dry-wall e outros elementos mais versáteis, mais leves e mais sustentaveis vão preenchendo lacunas, não como um “modismo ou tendência”, mas como necessidade.

Num momento em que as distancias de comunicação são mais amenas a nível global, podemos observar também o surgimento de novos hábitos comportamentais, que vão influenciando diretamente nossas vidas e nossa cultura. No tocante à habitação, também um elemento que possui seus aspectos reforçados na cultura local, tem sido observado mudanças comportamentais no quesito “morar”. Impulsionado pelos novos tempos, modismos começaram a influenciar hábitos tornando cada vez mais eclética o modo de viver das pessoas. Num mesmo prédio, até numa mesma família, podemos observar diferentes hábitos... Pessoas trabalhando em casa, outras no exterior. Muitas se alimentando na “rua” outras respeitando bons hábitos a comida caseira. Enfim, o que se observa são necessidades cada vez mais dinâmicas no que tange aos espaços necessários para se “viver”, onde a "qualidade desses espaços" tornou-se mais subjetivo.

Assim, talvez também reforçado por influências dos “retrofits americanos” que há algumas décadas criou os “Lofts” como forma de aproveitamento de antigos galpões localizados em áreas urbanas degradadas (eram na verdade uma opção de moradia à baixo custo). Estes espaços (lofts), acabaram envolvidos por uma mídia ávida de novidades, que lhes conferia importantes impulsos para transformar tal prática num “modismo”, já que as tendências na arquitetura na epóca - e até hoje - estavam em baixa.

O que podemos notar na prática da arquitetura, que esta também precisa ser “interpretativa” – principalmente quando se trata de habitação – e que muitas pessoas buscam abertura e flexibilidade de espaços em suas casas, nada de ambiente claustrofóbico. Cozinhas que possam receber, por exemplo – onde cozer faz parte da hospitalidade – temperadas por modismos do tipo “cozinha do gourmet” e outras denominações, que vão delineando novas tipologia e “tribos”. Dormir se tornou sublime, o banho e o lazer também faz parte das preocupações cotidianas do “morar bem”.

Depois da era “delivery” parece estar chegando a hora da multiplicidade, onde muitas facetas de interpretação vai dando lugar ao “aberto”, ao “livre”, ao “versátil”, ao “gostoso de ver, sentir e viver”. Um mundo onde todos estão “arquitetando” seus próprios espaços e o profissional da arquitetura está mais para o interprete, o psicólogo e terapeuta, o informador, o consultor e apoiador das necessidades... Cada vez mais “linkado” com novos materiais, equipamentos e tecnologia para solucionar necessidades dinâmicas e diferenciadas. Parafraseando João Cabral de Melo Neto (Fábulas de um Arquiteto)... “A arquitetura como construir portas de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender...”


A arquitetura é um sublime e verdadeiro movimento. Também uma real expressão da vida!

Morar bem faz parte da felicidade humana, desde tempos imemoriais!




Gilmar lima
arquiteto titular da atmosfera2
arqlima@uol.com.br
(41) 3013-1830

Nenhum comentário: